A desertificação do campus universitário é um fenômeno cíclico. A ideologia urnana sobre o campus universitário francês que remonta os anos 1960 marcou época. Nos dias de hoje, mesmo após intervenções que tentaram aperfeiçoar suas condições arquitetônicas e urbanísticas, melhorando suas conexões, retirando-o do isolamento, o território do campus, segundo a arquiteta Florence Lipsk, é um corpo doente e seus males continuam antigos, moral e fisicamente considerados. O sentimento de pertencer a Universidade não é compartilhado nem por estudantes nem por professores, com exceção dos institutos politécnicos.
| Florence Lipsky é arquiteta e professora da Escola de Arquitetura da Cidade e dos Territórios em Marne la Vallée. |
Para Lipsky o território da universidade deveria ser o lugar do aprendizado em todos os sentidos e a questão do campus é a mesma da cidade. O elo essencial entre território e docência se dá quando a criação de um campus ultrapassa a mera ligação entre um lugar e a cidade. Deve-se pensar o território da Universidade em sua dimensão fundamentalmente cultural e educativa, criando condições da melhor aprendizagem. O Campus é um território específico, uma cidade complexa - a relação entre cidade e Campus é a de arquipélago. O Campus tem sua identidade própria, sem ser incompatível com a cidade em que ele está conectado. A chegada de novas tecnologias - os computadores individuais e a internet - faz com que cada um se pergunte sobre os lugares de reunião e aproximação humanas. O local, a materialidade do campus não o impede de ser global. O solo, o terreno, é fundamental para todo indivíduo, para os estudantes, os pesquisadores e as demais pessoas. Neste momento o universitário francês vê-se diante de uma realidade onde a mentalidade de locatário irresponsável deve ser superada pela de habitante pertinente.
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